Não espere cores de olhares devolvidos
Não busque flores em carinhos dispensados
A música finca a flecha no inesperado
Não procure
O cinza
você mesma aquarela
Recolhe a poeira
e despeja
no vazio
do choro mudo
Não procure
Não busque flores em carinhos dispensados
A música finca a flecha no inesperado
Não procure
O cinza
você mesma aquarela
Recolhe a poeira
e despeja
no vazio
do choro mudo
Não procure
que seria mais impulsiva
que não me intimidaria com um desvio de atenção
mas incertezas brecam
um simples olá
em dias como hoje
me punha granfina
Metia maiô, chapéu e pose
Tomava glamour ao pé da piscina
Pedia champanhe
Chamava as amigas
Deixava o sol esquentar
E o porre esquecer
uma vida vazia
Mas não sou madame
Sou funcionária
Dias como hoje
não são para mim
O sol arde
o meu jeans
molha minha nuca
mela meu texto
embaça meus prazos
enquanto teclo
por latas de cerveja
cheiro de cigarro
aplausos
abraços picados
avisos picantes
beijos tímidos
e luas
e livros
e sábados
e domingos
com muito sal