sábado, 17 de janeiro de 2009

DESCULPE, MAS PRECISO IR

 

Desperdiçar meu silêncio

desligar convites

desistir de estrelar confrontos

desanunciar sofrimentos

despedaçar o tempo - remontá-lo, para que o início impere

desprezar a verdade dita - que morre na ausência da saliva

desdenhar provocações

desconhecer ilusões

descalçar certezas, torná-las conquistas amenas

desaparecer

des parecer

      par

de  pa  ce

des

d

.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

HOJE NA BRIGADEIRO

 

Não foi a sensação de liberdade por caminhar em uma tarde de quarta-feira. Não foi a música de que mais gosta tocando na lojinha de velas perfumadas. Não foi o sorriso que recebeu de um esbarro de olhares. Foi a placa na porta de um hotel. Precisa-se de arrumadeira urgentemente. Quase subiu as escadas. São quantos quartos? E para a recepção de madrugada, estão precisando? Lembrou-se de que o Zona Azul venceria e deu as costas a essa possibilidade. Subiu a avenida suspirando por mais caprichos (?) que a tirassem de sua bolha.

sábado, 10 de janeiro de 2009

QUANDO AS ANGÚSTIAS JÁ NÃO CABEM

 

Foto0235

 

Fugiu, porque o resto do mundo parecia mais interessante. Foi de madrugada, sem se despedir, para que ninguém a convencesse do contrário. Até hoje me manda cartas.

Um dia ainda bebo da mesma coragem.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

CELULAR NÃO COMBINA COM MADRUGADA

 

Ninguém soube dizer se a luz que iluminou seu rosto, escurecido pela fumaça do ambiente, vinha apenas do visor apitando uma fase mais tranquila. Talvez tenha sido a alegria que seus dentes denunciavam. E apenas uma pessoa poderia explicar o motivo da inquitação dela diante de tantas garrafas de cerveja chique. Por aquele momento ficou alheia à poesia dos diálogos que esquentavam a garganta de todos. Ele, que já se obrigava a sonhar em cama quente e solitária, pensou nela antes de fechar os olhos e também quando os fechou. Ela sorriu, sentindo a paz de que tanto precisou. A paz que antecede o furacão dos próximos dias de angústias previstas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

NOSTALGIA

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foto: priscilanicolielo

Gosto de dias assim. O sopro frio ocupando um céu azul claro. Nuvens raras. É meio de ano no hemisféro sul. E eu tinha um edredom, uma varanda e vinho tinto. Você, minhas mãos. Do canto, o seu bambu espiava, enterrado ao lado de uma canabis. Fui feliz, agora lembro. E serei de novo ao lado de outras companhias, se houver mais dias como esse de que gosto tanto.

Feliz Ano Novo e desculpe por estragar o último que passamos juntos.

 

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