Andavam no canteiro central da avenida quando ele a convidou para um dança. Dançaram lá mesmo, debaixo da placa de retorno. Ela interrompeu:terça-feira, 21 de agosto de 2007
A DANÇA
Andavam no canteiro central da avenida quando ele a convidou para um dança. Dançaram lá mesmo, debaixo da placa de retorno. Ela interrompeu:segunda-feira, 20 de agosto de 2007
VAI PASSAR
Quando acordei você ainda estava lá. Eu não queria. Não te expulsei, porque quis olhar para você. É o meu segredo. É sempre bom olhar para você. Eu consigo, durante um dia inteiro, sem enjoar. Porque você não passa. Enquanto a água quente do chuveiro escorria, você me observava através do vidro do box embaçado. Vá embora ou fique de uma vez!
Quis me levar até o carro. Não é preciso simular um romance. Na porta, um ímpeto: entrou e me acompanhou até o trabalho. Passe, por favor.
Quando chegamos, continuou ao meu lado. Tentei trabalhar, mas você me distrai. Todos me pegam olhando para o vazio e não têm mais dúvidas sobre você. Nego. Como sempre. Não deixo você existir para ninguém. Também não pronuncio o seu nome. Soaria real.
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Depois do café você passou. Depois do café você não fazia mais sentido. Vá embora, por favor. Não volte, a menos que eu me permita dizer que gosto de olhar para você.
terça-feira, 24 de julho de 2007
RECOMENDAÇÕES
Eu, deitada, serena, de olhos fechados e margaridas cobrindo o meu corpo do quadril até os pés. Obrigada, mãe. Era exatamente essa flor que comporia o meu buquê de casamento. Você preferia as rosas vermelhas, a tia também, mas gosto da beleza simples da dessa florzinha pequena e branca como eu. A família veio
Deixem meus livros para a Joana, o carro para o meu irmão, minha cortinha de fuxicos para a Lila. Devolvam a coleção do Cartola para o Beto. Se quiser e tiver coragem, ela pode ficar com as minhas roupas. Registrem os meus textos, vai que. Atendam o meu celular e anotem o e-mail das pessoas (eu escrevi uma mensagem especial para os meus amigos atrasados). Não doem a Algodão para ninguém, por favor. Pintem a parede do meu quarto de vermelho e chamem a Ale para ver como ficou.
Fui embora e não realizei nada. Não era a minha hora. Nunca é. Quando ele se foi ainda sonhava tanto, ainda planejava voltar ao Brasil e morar nas serras gaúchas, fazer uma horta e cuidar de coelhos. Eu ainda queria uma vista para a lua, o marido de calça de pijama e as nossas tardes cheirando a manjericão e doces de Cora Coralina.