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Na minha mão tudo vira crise.
Se pensam que sofro com isso, estão certos.
Se pensam que me esforço para mudar,
saibam que sou bem acomodada.
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Não espere que eu:
acorde de madrugada porque alguém chora
segure uma mão durante a vacina
escolha a cortina da casa nova
retorne sua ligação perdida
preencha com ração um pratinho
compre um presente de aniversário
leve a lei seca a sério
prepare café quente de manhã
pergunte da sua tosse
lave o prato do almoço
console sua tristeza
trate os dentes com cáries
- e o câncer sem cerveja
desacelere na lombada eletrônica
saiba o limite do cartão de crédito
me prepare para uma prova
mantenha minha palavra
ame na sua ausência
me afaste da ânsia
- de beber sem limite
Meu tempo é curto.
Me enrola em lençóis e mentiras,
que eu topo mais uma vez.
A penúltima.
Guardo na bolsa. O papel tem seu perfume. Eu sei que você fez de propósito. Releio entre uma rua e outra. Dia após dia. Mas as palavras vão escorrendo. Apagam-se a cada semana que passo sem notícias suas. E quando, como pelas folhas de sulfite, já não procuro mais por lembranças daquele domingo, outra carta:
Me esquece.
Essa, rasgo. Acomodo os pedaços dentro de uma caixa, caso me arrependa mais tarde. Seu texto me enjoa. É repetitivo. Num berro, escrevo também. Desta vez, por necessidade de preencher linhas. Apenas.