segunda-feira, 10 de novembro de 2008
ASSIM PREFIRO
atiro
o brilho do rímel
Borro noites
Meus cílios confusos
confiscam atenção
Carecem de olhos
Brinco de estrela
das suas raras aparições
Na sua falta
esfaqueio mãos ingênuas
Sem remorso
Sem cabeça
Solta
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
QUANDO EU OLHAR PARA FRENTE VAI SER TARDE
Não espere que eu:
acorde de madrugada porque alguém chora
segure uma mão durante a vacina
escolha a cortina da casa nova
retorne sua ligação perdida
preencha com ração um pratinho
compre um presente de aniversário
leve a lei seca a sério
prepare café quente de manhã
pergunte da sua tosse
lave o prato do almoço
console sua tristeza
trate os dentes com cáries
- e o câncer sem cerveja
desacelere na lombada eletrônica
saiba o limite do cartão de crédito
me prepare para uma prova
mantenha minha palavra
ame na sua ausência
me afaste da ânsia
- de beber sem limite
Meu tempo é curto.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
IÔ-IÔ
Me implora romântico, por carta:
Me enrola em lençóis e mentiras,
que eu topo mais uma vez.
A penúltima.
Guardo na bolsa. O papel tem seu perfume. Eu sei que você fez de propósito. Releio entre uma rua e outra. Dia após dia. Mas as palavras vão escorrendo. Apagam-se a cada semana que passo sem notícias suas. E quando, como pelas folhas de sulfite, já não procuro mais por lembranças daquele domingo, outra carta:
Me esquece.
Essa, rasgo. Acomodo os pedaços dentro de uma caixa, caso me arrependa mais tarde. Seu texto me enjoa. É repetitivo. Num berro, escrevo também. Desta vez, por necessidade de preencher linhas. Apenas.