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Assim que coloquei o pijama, o telefone tocou. Ana demorou para falar alguma coisa e quando disse:
- Pedro,
Mais silêncio e:
- Pedro, boa noite.
Desligou.
Acho que ela não queria me dizer isso.
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Levanta-se da cadeira e passeia devagar pelo escritório.
- Que delícia andar no meio da sala! Ela parece mais vazia hoje.
Só que a sala sempre esteve daquele jeito. Com o mesmo cheiro de mofo, a mancha no carpete perto da tomada, cadeiras enferrujando e papéis usados. Uma insatisfação nauseante estampa o rosto dos funcionários e a água do filtro parece vir de algum prato de samambaia. O homem barrigudo vestindo camisa de listras vermelhas e pretas rosna para preencher o vazio que a frase deixou.
Volta à cadeira, seu celular toca. Colore o ambiente com o mesmo sorriso patético de dias seguintes.
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Eu disse que postaria apenas uma frase dos contos que começo a escrever sobre as personagens da próxima peça. Mas me empolguei e vou mandar o miniconto inteiro. Tudo bem... Se alguém quiser comentar sobre o clima, abuse!
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Muita coisa pinga no vazio do crânio:
a frase de um livro,
um atropelamento,
um moinho,
uma maca,
pernas mancas,
patos brancos nadando em sangue coagulado.
Mas meu olhar arregalado só tem um alvo.
Encara intenso. Briga de retinas.
Você dentro de si, controlado. Até quando?
Continuo explodindo até que você desperte.
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