vivo pela metade. amo pela metade. abraço pela metade. me doo pela metade. converso pela metade. contemplo pela metade. penso pela metade. me despeço pela metade. odeio pela metade. rejeito pela metade. confio pela metade. e blá blá blá.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
PAUSE
Na sala discutiam pizzarias e espirros. Que a covinha do presidente apareceu quando começou a raspar os pelos do rosto. A televisão ligada bisbilhotava algum cenário da novela das oito. Perguntaram-lhe como andava o trabalho. Alice deu de ombros e foi até a janela. Alguém insistiu Já conheceu o meu amigo do financeiro? Alice ignorou a pergunta, talvez porque também ignore o tal amigo. Desligaram a TV e cochichos desculpavam-se pela dificuldade que ela desenvolveu para assistir a novelas. No céu a lua apagava-se lentamente. Por seis minutos a escuridão hipnotizaria Alice. Um momento que inspira silêncio e contemplação. Nada de Brasília e vírus. Instantes que demoram a voltar. Disseram 123 anos. Quando ela for ossos ou cinzas. A vida poderia ser mais previsível como a data de hoje. Algum físico poderia dizer-lhe em que oceano ela vai desaguar? Alice pulou a janela para deitar-se na grama úmida do jardim e esvaziou os conflitos habituais da cabeça. Criaria um novo. Tenho apenas seis minutos para aproveitar. Encaixou as mãos entre folhas e nuca. E os olhos, na sombra redonda.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
DAQUI...
Daqui.
Do outro lado da praia contemplo a sua música, enquanto escrevo as próximas páginas - dores paridas me enjoam. Não me reconheço no ontem.
Daqui. Inalo a melodia. Trilho meu tom seguinte. Tão grave... Te agrada? Eu sei que não.
Porque abandono esse lamento pedinte por folhas impreenchíveis, fadadas ao cesto de lixo do meu corpo.
Sua letra inunda calma o lado de cá. A espuma toca unhas assustadas, me encara.
Daqui. Sussurro seus acordes. A distância tapa seu ouvido.
E eu não sei se devo cantar mais alto.
Do outro lado da praia contemplo a sua música, enquanto escrevo as próximas páginas - dores paridas me enjoam. Não me reconheço no ontem.
Daqui. Inalo a melodia. Trilho meu tom seguinte. Tão grave... Te agrada? Eu sei que não.
Porque abandono esse lamento pedinte por folhas impreenchíveis, fadadas ao cesto de lixo do meu corpo.
Sua letra inunda calma o lado de cá. A espuma toca unhas assustadas, me encara.
Daqui. Sussurro seus acordes. A distância tapa seu ouvido.
E eu não sei se devo cantar mais alto.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
FORASTEIRA
*
A MOÇA está de pé. Calça jeans. Cabelo solto voando. Um chão seco e batido embaixo de sua bota. Vemos um raio de luz furando as nuvens cinzentas do céu e manchando o corpo dela. Ouvimos uma música com volume bem baixo, não conseguimos identificá-la ainda. Cheiro de cerveja. A luz do sol preenche a cena e um sorriso, o rosto dela...
*
A MOÇA está de pé. Calça jeans. Cabelo solto voando. Um chão seco e batido embaixo de sua bota. Vemos um raio de luz furando as nuvens cinzentas do céu e manchando o corpo dela. Ouvimos uma música com volume bem baixo, não conseguimos identificá-la ainda. Cheiro de cerveja. A luz do sol preenche a cena e um sorriso, o rosto dela...
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