Eu tava andando. Acho que colhendo flores. Ou outra dessas imagens bucólicas, que dão beleza a uma vida que só existe em quadro pintado ou na minha cabeça de vez em quando. Quando não quero olhar pro que é real. Só sei que acabei caindo nesse buraco. Não porque quis. Mas também não porque meus olhos me esconderam a presença dele. Talvez as folhas secas o acobertassem de maneira tão romântica que não. Não tive certeza de que o buraco só me esperava. como se consciente de que eu sou dessas que sempre tropeça e se deixa engolir por esse tipo de acidente. Até pensei, em algum momento antes da queda, que poderia haver algo estranho por ali. Mas são como aqueles momentos de beber água no meio de noitadas. Passa rapidinho. E aí sempre opto por continuar a colher flores.
E então caí. Tô aqui. Faz uns meses. Ele nem é tão fundo, eu sei. Mas estou tão fraca, que não consigo sair. Não consigo nem parar pra pensar em como poderia sair. Só penso em dormir no quentinho que faz aqui dentro. Porque também nem é mais primavera e não vejo flores pra colher lá fora. Lá fora nem tem mais sentido como antes.
terça-feira, 26 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
pensei por exemplo que toda vez que aterrisso ou decolo devo agradecer ao fato de ser mulher. meu coração é forte. aguenta estresse. amor. murro de decepção, então não é de enfarte que vou. mas quando desço de uma montanha-russa, a adrenalina é a mesma. alguma coisa sempre pode dar errado. a única bala do revólver. é como se a sensação de algo-pode-mudar-tudo sempre me rondasse com sorriso inquieto fincado na cara. retribuo. sem deixar escapar pra mim, naquele momento, que eu te levaria pruma montanha-russa. te levaria pruma roleta-russa.
segunda-feira, 14 de março de 2011
quando não
se Horácio entendesse de limites, Janaína não precisaria treinar o silêncio. se a areia não fosse áspera, as ondas não seriam tão agressivas. a reação que a reação provoca é cumulativa e sobe. sobe. sobe. sobe. até marear. até cutucar calçadas. até rachar os limites que Horácio não entende. transbordando no silêncio de Janaína. gotejando a paciência da moça. que um dia (a paciência) se afoga mesmo. os dois perdidos num mar. afastando-se. apagando-se. sem gritos. acenos. tentativas de resgate. nada. nem um pingo salgado de remorso. só a maré de quase olhares interrompida. um tsunami de desocasiões. destruindo os momentinhos que aportariam. ou naufragariam. ninguém sabe.
quinta-feira, 10 de março de 2011
DO CARNAVAL
que não fez o sol que meu biquini e maiô novinhos esperavam. que acordei e dormi cedo, mas me diverti um bocado. que não vi todas as pessoas queridas que também se alegravam no Rio, mas fui rodeada por outras. e reencontrei várias. :) que experimentei algo novo e não tão agradável: perder voo, não um, mas os dois. que tive medo de morrer no meio de um bloco cheio e até dei uma choramingadinha, mas fui consolada por desconhecidos e novos conhecidos. que fui expulsa de uma festa antes mesmo de chegar nela. que conheci melhor pessoas que eu só desconfiava que fossem incríveis - agora tenho certeza. que aprovei os casos de todas e deixei os meus pra mais tarde. que ganhei um monte de amigos novos no facebook e no celular. amizade de carnaval sobe a serra? espero que sim. :) um saldo positivo no final das contas.
terça-feira, 1 de março de 2011
chove violentamente. eu ateh penso em quem se mistura a papelao e enxurrada e sujeirinhas. mas nao eh como tah lah. eh como soh pensar pra tentar ser melhor. eu posso fechar a janela e aumentar o volume da tv enquanto ouço o ultimo lançamento do artista mais cool de los angeles. ou penso sobre o novo livro que comecei a ler. dum cara rico que finge renunciar os luxos pra ser escritor. um gole de vinho. que paguei com visa vale pq tah foda. pq meu pai disse que se eu morasse ainda com ele - e nao que eu queira, ele jah conserta - eu economizaria muito. e eu retruco que gastando essa quantia por ano eu to ganhando. mas ele pensa mais no valor material e devolve: ganhando onde? mais um gole. mais tv. melhor dormir. amanha o dia eh cheio. tem texto pra escrever. projetos pra pensar. amigos pra atender, tenho ateh de almoçar e tomar banho. entao...
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