é dedo acorrentado mesmo. boca travada. enquanto no sangue correm todas as noites que eu gostaria de confessar. nossas luas costuradas em rascunhos impublicáveis. enquanto isso uma estátua de mim mesma, diante de uma tela preenchida com as músicas que eu quis presentear, mas deixei no carro. pro dia seguinte a sua festa de aniversário. pra nenhum olhar me reprimir. ignorantes da realidade em que me meti: o fundo daquele poço, onde uma vez me enterrei.
a sentimento cinza e fofoqueiro querendo abrir todas as portas e transformar-se em presente. não. eu não consigo mais abrir os pontos fora do meu quarto.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
BUSCA ETERNA
não é do que você fala, nem de quem você destrata, nem da situação que você explora, nem da raiva que te toma, nem do choro no gatilho, nem dum convite de última hora e das flores que entregaram pra outra. não se trata de vingança, daquela moça, de suas noites, de outro cara. nem do tapa na cara que levei esta madrugada.
é tudo sobre como usar as palavras de maneira elegante.
é tudo sobre como usar as palavras de maneira elegante.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
eu lembro da tua mão esbarrando em copos. talvez um espatifado no chão. e lembro dela invadindo o decote de meu vestido indo se encontrar com minha cintura. eu lembro das fotos escuras que tirei. eu lembro de como eu sorria pro seu cabelo. e como tudo se esfarelava dois dias depois. e como aqueles dias, as nossas danças, todos os copos que bebemos e as suas madrugadas me rasgavam. lágrimas desgovernadas cegando o óbvio. seu sorriso mais forte que um flash. seu sorriso contador de nossas mentiras. 32 dentes me convidando pruma trama que agora jaz em fade out.
não vou aumentar o seu volume de novo.
não vou aumentar o seu volume de novo.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Eu tava andando. Acho que colhendo flores. Ou outra dessas imagens bucólicas, que dão beleza a uma vida que só existe em quadro pintado ou na minha cabeça de vez em quando. Quando não quero olhar pro que é real. Só sei que acabei caindo nesse buraco. Não porque quis. Mas também não porque meus olhos me esconderam a presença dele. Talvez as folhas secas o acobertassem de maneira tão romântica que não. Não tive certeza de que o buraco só me esperava. como se consciente de que eu sou dessas que sempre tropeça e se deixa engolir por esse tipo de acidente. Até pensei, em algum momento antes da queda, que poderia haver algo estranho por ali. Mas são como aqueles momentos de beber água no meio de noitadas. Passa rapidinho. E aí sempre opto por continuar a colher flores.
E então caí. Tô aqui. Faz uns meses. Ele nem é tão fundo, eu sei. Mas estou tão fraca, que não consigo sair. Não consigo nem parar pra pensar em como poderia sair. Só penso em dormir no quentinho que faz aqui dentro. Porque também nem é mais primavera e não vejo flores pra colher lá fora. Lá fora nem tem mais sentido como antes.
E então caí. Tô aqui. Faz uns meses. Ele nem é tão fundo, eu sei. Mas estou tão fraca, que não consigo sair. Não consigo nem parar pra pensar em como poderia sair. Só penso em dormir no quentinho que faz aqui dentro. Porque também nem é mais primavera e não vejo flores pra colher lá fora. Lá fora nem tem mais sentido como antes.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
pensei por exemplo que toda vez que aterrisso ou decolo devo agradecer ao fato de ser mulher. meu coração é forte. aguenta estresse. amor. murro de decepção, então não é de enfarte que vou. mas quando desço de uma montanha-russa, a adrenalina é a mesma. alguma coisa sempre pode dar errado. a única bala do revólver. é como se a sensação de algo-pode-mudar-tudo sempre me rondasse com sorriso inquieto fincado na cara. retribuo. sem deixar escapar pra mim, naquele momento, que eu te levaria pruma montanha-russa. te levaria pruma roleta-russa.
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