sexta-feira, 21 de outubro de 2011

é quase mortal e fúcsia. a garotinha de cabelo liso sentada em um balanço enfeitado de lacinhos. é quase aquecimento global a cor da paisagem. é quase terrorismo os urubus que esperam a queda dela. tão angelical e triste. tão alimento e alvo. se depender da saia ela não cai. mas o olhar. o olhar é de alguém que pode se jogar de tédio. de cansaço. esses urubus nunca vão sair de lá? é só o que ela tem. e uma hora, um toque fica tão inevitável quanto as lágrimas de redenção. ela não tem saída.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

de verdade. pode ser mesmo que eu seja o oposto desses brincos de pérolas. ou só um pouco deles. pode ser que a última frase que te disse destoe das minhas ressacas. e até que a ideia que postei dia desses seja a minha leitura de um personagem tranquilo. mas esses pedaços todos são meus, sim. o bolo inteiro que eles formam é que anda um pouco em blur desde que eu. meus amigos não me reconhecem e o que vejo quando encaro o espelho é mais uma tentativa de. pelo menos. did I? não fiz de propósito. foi apenas uma época deixando vazar céu azul e sucos de laranjas e as flores do meu vestido. mas não consigo esconder que rajadas dele me ofuscavam enquanto. pensei nele quando atuávamos a cena que sempre me negou. me recuso a fingir que ele não reestreou durante aquela noite na plateia. me tocava. não ele. a lembrança dele. as promessas dele. a ideia do que ele um dia seria pra mim. você como argamassa de poros vazios. a tinta caindo. o meu senso de humor dando as boas vindas. a parte de mim que pinta os olhos e se veste de botas pesadas para se identificar com o que foi e não quer mais. qual o tema desse amontoado de confissões? um feijão no algodão molhado.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

foram lágrimas de lembranças. apenas. como se pega de surpresa.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

AQUI!


eu pendurei luzes de Natal na minha saia. você reparou? eu aproveitei pra pintar os cílios de verde e rir bem alto toda vez que a campainha toca, mas você lia alguma coisa interessante. eu enfrentei o espelho depois disso tudo e ele rachou de preguiça. os cacos explodiam alguma palavra que já ouvi quando acordo de pesadelos enrugados. eu entrei no banho e os enfeites escorreram com um sabonete infantil. Eu escolhi um vestido discreto, porque não quero parecer uma. você sabe. pode ser que eu seja uma. mas não tenho certeza de. depende do mês. depende dos olhos. eu saí correndo, porque eu não sei. se a cor do meu cabelo fica bem. se meu português tá correto e as minhas unhas limpas. não sei e não quero falar do que não gosto. quero só criar bolhas de sabão em cima dum escorregador. pra elas voarem bem alto e furta-cor. pra estourar no nariz de alguém. no seu.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CRUZAMENTO

Foi uma história em fast foward. Quinze segundos eu acho. Eu assisti à transformação de um personagem. Grande ator esse que encontrei na rua. Me pediu um beijo, que recusei. Talvez ele não esperasse, porque um vidro aberto em uma madrugada quente demais para pertencer ao inverno, tenha a ver com disponibilidade óbvia. E pode ter sido que quisesse disfarçar a tristeza da minha rejeição. Pode ter sido isso. Feri os sentimentos de um desconhecido. No segundo ato, vi em seus olhos a mudança de cor. Disse que chamaria a polícia. Mostrou-me o pescoço. Um corte. Repetiu a polícia. Os olhos focados em mim. Esperei um revólver. Esperei um canivete. Agradeci não ter vidro automático e paciente. Bloqueei a voz dele. Meu pânico ficou pra dentro. Exibiu-se ainda na frente do carro. Na faixa de pedestres, como manda o civismo. Ainda falava. Do corte. Eu lia Polícia em seus lábios. Meu coração batucando e ele se foi. Foi pra polícia. Meu acelerador me salvando dali.
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