terça-feira, 15 de janeiro de 2013

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Este blog volta de férias no dia 1o. de fevereiro com um texto inédito.

Agendem nos celulares! rs

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

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Este blog entrou de férias, mas a autora dele não.
Você pode acompanhar o blog de férias dela: Flores To Fly.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

DA BOCA DE ALGUÉM: SUAS PALAVRAS CONDUZIDAS PELO VENTO



esqueci de beber água há dois dias. cortar as unhas e passei vergonha no exame médico. os óculos de sol estão dormindo em algum dos sete lugares em que sobrevivi nesta semana. esqueci a escova de dentes no último quarto em que estive e posso provocar o dono dele dizendo que quero acalmar. ser só dele, enquanto dançamos mudos no meio de uma pista sufocada de olhares-gordos em cima da mão dele invasora de decotes. esqueci que devia dinheiro para um amigo e me lembro disso toda vez que deito, e seria indelicado ligar para lembrá-lo de me lembrar. esqueci como me sentia quando você me acordava. e vou me esquecer de bem mais. quando você cheirava a comida antes de absorvê-la, como eu faço antes de tomar chuva.
mas não esqueço. meu corpo não esquece. meu texto não esquece.
como metiam o dedo nas minhas inquietações dizendo que minhas páginas, minhas palavras, o jeito como choro, como coro, me embriago, me rasgo numa noite onde tudo é só brincadeira e abandono; não passavam de meninice. que preferiam meu silêncio. que o que gerava o formigamento nos meus dedos boiava em minha boca e eu não engolia. assim que nascia, escorria para o lixo por destino.
perceber que você não passa de uma foto, de um papel cheiroso e vazio, de um vaso que não afaga flores. foi essa a doença? meu diagnóstico proferido por dicionários ambulantes - quando a palavra não cabe, quando a palavra não excita, quando a palavra é só palavra. receber como verdade o que salivas congeladas, cérebros precisos te comunicam, como se não pudesse trocar a estação do rádio com sua própria vontade. como se não tivesse mãos. gritar quem você é: talvez a primeira tentativa de se decifrar.
esqueci de gritar por tanto tempo.
hoje sou escândalo, carta, troca, resposta. a crença em minha superficialidade: esquecida na marra.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CÁRCERE


Um amor estático flutua preguiçoso a três palmos do meu travesseiro, quando é madrugada e tudo é sussurro. Lembranças tristes e carneiros pulando brigam pelo primeiro lugar. Provo paciência. A página branca e tolerante freia um abraço. A distância é ríspida. Meu escândalo não te alcança, é desespero invisível. Insuportável é gostar sem ruído. Armazeno você num parágrafo, pra rabiscar mais tarde. Apagar mais tarde. Quando já for muito tarde. Muito tarde e adiável.

Meu mundo apático se embriaga de olhares perdidos. Nem sei o que miro. O dia se esgarça em frames. Tarefas e compromissos e gritos espancam a campainha do meu controle. A janela trancada - nem o ar respira aqui dentro - o cachorro esperneando atrás dela e, quando percebo, perdi uma hora. Sessenta minutos de você, chumbo agarrado aos meus tornozelos. Me enterrando em silêncio.

A sua felicidade abafando qualquer coisa que tenha me dito naquela ligação. Na surpresa de uma esquina que dobrei, em vez de te evitar. Numa fotografia que pensei ter apagado – ela tem seu cheiro e o meu agasalho também. E terça passada se me surpreendessem: a história de alguém que respira agasalhos e tem olhos encharcados de alguma coisa que um dia ganhei por engano. Seu cheiro, que não chamo de perfume, e algumas partes da sua vida me interrompendo. Freneticamente.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A HORA DE DORMIR




As pálpebras dele enganchadas a âncoras. O bocejo contaminando. Ele resiste ao desmaio. Insônia como opção. Encher a cabeça de informação, porque quando tudo se aquietar e o corpo ceder, só um pensamento: a maneira como ela enrolava o cabelo num coque e sorria perguntando se estava bom. E o perfume dela que apareceu na noite passada, quando ele bebia sozinho num balcão, e a vontade de não identificar a pessoa, para não destruir essa reaproximação. Era como abraçá-la de novo. Igual ao episódio da farmácia, quando brigaram, conforto e promessas de vai-dá-tudo-certo-pra-sempre-eu-sei-que-vai.
O que falta não tem nome. É espaço inabitável. Acordar ao lado dela foi só miragem. Enquanto ele esfregava os olhos, ela desaparecia, levando aquele bônus de tranquilidade junto; e a sacolinha da loja de roupas com o secador e as calcinhas. 
Sonhar tem sido triste e difícil de desviar. Ele não vai controlar por muito tempo, em poucos minutos, ela protagonizará as mesmas histórias descontínuas. 
Ao despertar, ele vai se ocupar de livros e café e faxina, atividades que a dissipem. Algo que a faça adormecer até o próximo encontro. O próximo cansaço vencido.


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