terça-feira, 19 de março de 2013

É PIQUE! É PIQUE! É UMA PORÇÃO DE PIQUE!


Dia de arremessar desejos e me lembrar que toda vez a mãe puxa a orelha de acordo com a idade. Temo ficar com o lóbulo da direita maior que o da esquerda.
É quando a nona e a tia Paola ligam às seis da manhã para serem as primeiras a falar comigo. Em seguida a tia Dina, a quem faço acreditar ter sido o meu único telefonema até o momento. 
Dia de ganhar o bolo de brigadeiro da tia Dulce. De pensar que o presente do irmão caçula vai chegar alguns dias atrasados, pelos Correios. Dia de saudade.
E pensar que sempre chove. Eu olhando de dentro do carro o shopping center cheio de gotas de água, ansiosa pelo presente que o bolso do pai pode comprar.
Dia de não saber quem vem. A insegurança de uma festa vazia como o meu porta-moedas. Aniversário é como estrear peça de teatro. Será que ele vem? Qual desculpa ela vai inventar. Vai caber todo mundo? Quero cancelar tudo! Não. Eles virão. Eu acho.
Dia do coração sambar a cada ligação. Quem lembra? Quem é de felicitar ainda por telefone? Mensagens de celular estão cada vez mais raras. Frases no facebook apenas para não passar em branco. Aceito tudo, não se preocupem. De pombo-correio a presentes virtuais. Como essas fotofrases, que pedi às minhas leitoras com a minha cara de pau e que fui recebendo por esses dias. Obrigada a todos que registraram um pouco de mim na vida de vocês.

Feliz Aniversário!
por Thamy Silvia


por Carolina Nunes

por Beatriz Luna

Mariene Baccarin, da página Gotas de Emoção

por Thamy Silvia

por Liliane Chagas
Por Cíntia Rosini
por Rafaela Freitas

por Aline Di Giacomo

por Adriana Brunstein

por Cintia Rosini

por Pedro Augusto

por Dannie Karam

por Fábio da Luz

por Vanessa Monho

domingo, 17 de março de 2013

O VESTIDO E O VENTO MALICIOSO DA CIDADE

ou

Ela desce a rua.


foto retirada do site weheartit.com


   Ela desce a rua como se. Não encara o céu. Ignora olhares e quase sempre tropeça. Buzinas. Os semáforos piscam. Os carros escorregam pela avenida que parece viver entupida de estresse. Ela tem um vestido que se espreguiça sempre que um vento assopra. Uma espécie fajuta e romântica e mais colorida de uma Marilyn Monroe vulnerável. A cada esquina, um amor acena. Aquela festa com quatro pessoas e um amasso no elevador vermelho e charmoso. A janela do apartamento em que ele morava, num prédio sem vida, incomodado frequentemente pela cidade acordando, pela cidade se divertindo, pela cidade voltando pra casa acelerada de tanta bebida ou pó, desafiando os radares, os pedestres e a conta bancária magra  e  farta de multas.

   Ela desce a rua como se precisasse chegar a algum lugar. Nunca se perguntou o que quer. Apenas vive. Desliza nos seus dias sem controle.

   Ela desce, o vestido repete a estripulia. As mãos dela, carregando unhas pintadas de azul claro como daquela vez em seu aniversário, vetam o tecido. Ele enfrenta. Provoca. Ordena. O vento como aliado. Ao redor, as pessoas se divertem, apenas uma mendiga se posta indiferente e grita alguns palavrões para si enquanto organiza o seu papelão na porta de uma loja falida.

   Ela não precisa chegar a lugar nenhum. Ela não precisa chegar. Ela só precisa relaxar. Talvez alcance algum lugar assim. E então, como em uma coreografia, seus fios de cabelo, suas mãos e a saia do vestido se libertam. Evaporam. Deixam o vento guiar. 

   Ela desce a rua dançando com o vento malicioso. Aonde pretendem aterrissar?

quinta-feira, 14 de março de 2013

LISTOMANÍACA

Hoje começa uma sessão nova aqui no blog!

As listas. Quem me lembrou que eu sempre quis fazer uma sessão dessas no blog, foi a minha amiga Roberta, e assim como ela, talvez eu precise fazer uma lista pra me lembrar que preciso fazer listas.



Eu sou maníaca por listas. Só fui me dar conta neste ano, durante um curso do Carpinejar. Na hora da apresentação, ele pediu que os alunos falasse, além do nome, uma tara. Eu poderia ter dito beijo na nuca, mas não, confessei a minha loucura por listas. O Carpinejar foi incisivo: Você  não gosta de listas, gosta de se frustar, porque as listas nunca acabam Mas isso é assunto pra outro momento (talvez parta uma próxima lista com as minhas maiores frustrações?).

Eu escrevo listas dos programas que devo baixar na internet, listas dos médicos que tenho de marcar, das peças de roupa que gostaria de comprar e até de quantos parágrafos eu tenho de escrever por dia para finalizar uma coluna pro Casal Sem Vergonha.

Pronto. Já podem rir de mim ou, pra quem é humorada, mandar sugestões de listas pro meu e-mail. Vou adorar receber. (Também faço listas de e-mails que tenho de mandar).

Bem-vindos às minhas neuras.


5 séries de tv que você não pode deixar de ver:

  • Criminal Minds #policial #serialkiller (amor verdadeiro, amor eterno),
  • Once Upon a Time ou Era Uma Vez #drama #contosdefadas (a minha nova menina dos olhos),
  • The Borgias #drama #história (já que o assunto da semana foi o Papa latino, talvez o mais sanguinário),
  • Lei E Ordem SVU #policial #pedofilia (não está no ar por tanto tempo à toa)
  • Dexter #policial #serialkiller (tão bom que torcemos pro vilão sem culpa)



E vocês? Têm séries preferidas?


DIA DA POESIA


terça-feira, 12 de março de 2013

SÓ PODEMOS TORCER PRA UM TIME?


O dia mais confuso da minha vida foi agorinha, essa quarta-feira. Tive o pensamento encaracolado por causa de uma partida de futebol decisiva. Não tão importante para o campeonato, quanto pra mim.

Nasci em Lins, conhece? É uma cidade pequena e quente, do interior de São Paulo, rodeada por outras cidades menores e igualmente quentes. Simpática a minha Lins. Ainda bebê, minúscula mesmo, vim tentar a vida na capital. Me meteram numa fralda do Palmeiras  e enfrentamos, pai, mãe e neném verde, 444 quilômetros de estrada.

Apesar da fralda, eu não era bem uma palmeirense. Quer dizer, meu pai se aproveitou da inexperiência dos meus três meses de vida, para registrar momentos de uma mini torcedora que até hoje não existo. Resultado: Fotografias puxadas pro marrom, com bordinhas arredondadas e a data no cantinho: junho/81, provas irrefutáveis da minha escolha pelo Verdão. Você jogou sujo, pai.

Não tão sujo quanto a minha boca de sorvete, naquela tarde, há muito tempo, quando eu pisei no Gilbertão, o estádio de Lins, minha primeira e única vez num estádio. O vô Tito tinha me comprado um picolé de milho-verde - o meu preferido de pequena - do carrinho que um senhor guiava todas as tardes, tocando uma gaitinha pra direita e pra esquerda. Você se lembra desse som? Pra lá e pra cá. O gramado do campo tinha falhas e não sei muito bem se estávamos lá - eu e meus irmãos - por causa de uma pelada ou de espaço para empinarmos nossas pipas, encharcadas de cerol na linha.

Se for por recordações, por deliciosas recordações, grito Vai Linense! Mas o Palmeiras. O Palmeiras é quase segunda pele, você me entende? Eu olho pro meu álbum de fotos de bebê e me convenço Porco Oô Porco Oô Porco Oô Oô Oô. Fora que eu fico bem de verde. No duro, fico mesmo. Tenho muitos vestidos dessa cor.

Então nessa quarta-feira, uma questão entrou em campo. Lá em Lins, numa noite inevitavelmente abafada, protegidos pelo céu mais limpo que eu conheço, jogadores se esparramavam pelo gramado do Gilbertão: os jogadores da casa, nós linenses, e os jogadores de fora, nós palmeirenses.

Pra quem eu deveria torcer?

Eu não torço, você sabe. Pra nada. Só torço pra um aumento no meu salário. Pro meu cartão de crédito passar na próxima compra. Pra fazer sol no final de semana. Pro meu cabelo não cair com a tintura. Pro novo filme do Woody Allen sair logo. Pequenos prazeres.

Mas caso me sentasse na frente de uma TV sintonizada no jogo, caso tivesse paciência pra assistir a um jogo, como escolher entre o time da cidade que nasci e voltei por anos para comemorar o Natal e a Páscoa e o time, cujo símbolo enfeitou meu primeiro figurino, a fraldinha? Seria como ter uma resposta para aquela pergunta sacana que te fazem no Jardim da Infância: você gosta mais do seu pai ou da sua mãe? Talvez, se eu tivesse uma luz pra essa questão, decidir entre o Linense e o Palmeiras seria menos desgastante. Mesmo que essa escolha só tenha me amargurado por quatro segundos da vida. Os quatro segundos mais enroscados que já conheci. Fico com os dois: meu pai e minha mãe.

Leia a coluna no site do Terceiro Tempo.
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