segunda-feira, 12 de novembro de 2007
UMA FESTA SEM CERVEJA
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
DECEPÇÃO 3
Quando mudaram de casa, Débora perguntou ao pai se poderia brincar nos cômodos pela última vez. O pai sorriu e concordou. O que ele não sabia é que ela queria dar estrelas no quarto vazio. Pela primeira vez ela teria espaço! Quando o pai foi buscá-la, para finalmente conhecer a nova casa, o novo quarto, o novo jardim, Débora estava sentada como uma indiazinha no centro do quarto e pronunciava “hummmm”. Aprendera isso com a vizinha, Arlete, que também tinha um salão de cabeleireiro na rua. Arlete adorava fazer “hummmm” quando o marido chegava em casa pedindo o jantar. O pai não entendeu nada e chamou “Débora!” Ela fingiu que não escutou e só saiu dali quando ouviu um barulhinho de papel de bombom. Essa infalível tática era usada por Norberto, segurança da Rua das Flores, ex-rua da família de Débora.
“Adeus quarto! Que a sua nova dona seja tão divertida quanto eu fui! Adeus Arlete, pare de cozinhar feijão, pois o Percival não gosta! Adeus, Norberto! Obrigada pelos bombons, mas agora você terá de comê-los!” E assim Débora se despediu da vida que vivera até aquele momento, segurou a mão do pai. Os dois saíram pela porta da frente, olharam para o sobrado azul pela última vez e, antes do pai dar a partida no carro, Débora voltou e se pendurou na alta janela do banheiro. “Não deixe ninguém dormir com você”, sussurrou. Saltou na grama, entrou no carro.
Foi quieta durante o caminho ao novo lar. O pai não entendeu, pois ela não se animou nem com as músicas do Guilherme Arantes. Débora gostava de cantar “Eu nem sonhava te amar desse jeito” e repetir “eu nem sonhava, sonhava, sonhava, desse jeito...”
DISCLAIMER:
Esta mensagem e qualquer arquivo nela contidos são confidenciais. (Artigo 56 da Lei n.º 4.117 de 27 de agosto de 1962, aplicável aos crimes em telecomunicações, nos termos do art. 215, I, da Lei 9.472/97).
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
EXPLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
CASA NOTURNA PARA DOIS
(texto que entraria em CIAO*)
Você chegava às vinte e três horas e quarenta e cinco minutos. Tirava os sapatos e os deixava ao lado da porta de entrada, embaixo do interruptor de luz. Andava até a sala e desligava a TV. Eu dormia enquanto te esperava. O sono me vencia. Tenho certeza de que você me olhava e se irritava por eu ter adormecido no sofá mais uma vez. Sem me acordar, ia para o banheiro abria a gaveta e pegava todas as caixinhas de remédio. Eu procurava deixá-las vazias e sempre quis estar ao seu lado quando você as fosse abrir. Ficava tão bonito irritado. É que aquela ruguinha entre as sobrancelhas se formava e te deixava mais maduro. Você ficaria lindo mais maduro. Ia para o banheiro abria a gaveta e pegava todas as caixinhas de remédio. Eu procurava deixá-las vazias, mas não era sempre que me lembrava ou queria. E como se fosse uma criança gulosa diante de balas de todos os sabores você abria os potinhos e jogava dentro da sua caneca de fazer gargarejo depois de escovar os dentes. As suas balinhas tinham tamanhos, formas e cores diferentes. Você gostava mais daquelas com duas cores e por isso colocava maior quantidade delas. Jogava dentro da sua caneca de fazer gargarejo depois de escovar os dentes e bebia. E assim você morria mais uma noite.
Eu acordava à zero hora e dez minutos. Olhava para a porta de entrada e via o seu sapato debaixo do interruptor de luz. Desesperado, corria até o quarto e te encontrava desmaiado. Era quando eu podia te observar sem que isso te incomodasse do jeito que te incomodava ultimamente. Sem que você metesse a mão na minha cara. Sem que você me proibisse de sentir alguma coisa e sem deixar que o seu ódio por mim transparecesse e a sua vontade de me mandar embora te tomasse. Eu costumava me trocar e te levar ao pronto-socorro. Você acordava e tudo voltava ao normal: a sua frieza, indiferença, raiva, impaciência. Por isso naquele dia, resolvi mudar a nossa rotina. Eu poderia acabar de vez com o seu sofrimento. Não com o meu. Mas não me importava. Eu também era infeliz, mas não tinha alguém que me amasse como eu te amava. Não tinha alguém que quisesse acabar com o meu sofrimento. Por isso peguei o travesseiro e coloquei sobre o seu rosto desacordado. Fui para o banheiro e abri a gaveta das caixinhas de remédio, lá também estava ela. Eu procurava deixá-la vazia, mas não era sempre que me lembrava ou queria. Voltei ao quarto. Você com um travesseiro na cara. Atirei uma, atirei duas, atirei três vezes. Aliviado, voltei à sala, deitei no sofá e liguei a TV. Mas estar ali não fazia mais sentido. Voltei ao quarto. Você com um travesseiro ensangüentado na cara. Eu me deitei na cama e dormi ao seu lado, pela primeira vez depois de tantas noites.
*CIAO – Estréia: 06 de outubro – Instituto Cultural Capobianco – Outubro - Sábados e Domingos – 21h
terça-feira, 21 de agosto de 2007
A DANÇA
Andavam no canteiro central da avenida quando ele a convidou para um dança. Dançaram lá mesmo, debaixo da placa de retorno. Ela interrompeu: