segunda-feira, 21 de setembro de 2009
AS MARCAS DO PULSO NÃO SE DEIXAM ESCONDER...
As marcas do pulso não se deixam esconder. Em que mês estávamos? Lembro que já era verão, porque eu suava dentro de um vestido de mangas curtas. Foi no dia seguinte àquele. O desejo do fim se espalhando dentro de uma banheira com água quentinha. A solução para estancar emoções azedas. Que se assumem físicas. Eu fiz tudo errado. Cortes horizontais. Tudo inconscientemente errado. O cabelo molhado abraçou o travesseiro e secaram juntos, levando meu verbo. Enquanto parentes me visitavam com mãos apertadas e olhos cheios de dó. Que se fodam. Uma tia beata e um cartão com um salmo. Está lá até hoje, em cima do criado-mudo. Empoeirado. Aguardando uma voz que o parta. Eu olho pra ele quando chego de madrugada e deixo meus brincos descansando ao lado. Olho pras rosas da imagem do fundo e penso na minha vó. Deixamos morrer a roseira que plantou quando era moça. Flores para homenagear a morte dos pais. De pais que não queriam morrer. Acontece. Por que a gente luta tanto contra? Acontece. Faz tempo não penso nessas marcas. É que hoje elas ardem. Como se acabassem de nascer. Um pressentimento. Como se a qualquer minuto pudessem se abrir de novo. Duas tiras de gaze manchadas pelo pranto dos pulsos. Parece ontem. Meu desassossego volta a transbordar. Preciso enterrar meus pés bem longe daquele dezembro.
sábado, 15 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
É A NECESSIDADE DE...
É a necessidade de enxugar o que pesa. O chumbo do desgosto desprezando o ar. Uma imagem distante abraça a solidão. Assume a carícia no rosto insistente. A boca se humilha em vãos impulsos. Boca insatisfeita. Boca besta. Boca ignorante. Incapaz de mostrar as costas. Armadilha dura e violenta. Por que tá aí parada? À espera. Vulnerável. Se existe o sonho de uma outra vida. A vida dos livros? A vida do espelho? A que te contaram? Se existe, por que tá aí imóvel? A ideia que te persegue há algum tempo. Como aquele amor coberto que vai e volta. Confunde. Esvazia a ideia. Vive a ideia. Até pedir arrego. Manda tudo pra puta que pariu. E se espalha na ideia. Depois levanta a bandeira branca e volta à vida comum. Vida de merda.
ESGOTAR A ÚLTIMA GOTA...
esgotar a última gota
do mar e do silêncio
folhas brancas à espera
de convivências zeradas
solidão
como pretexto
os textos
encadernados pelo
novo
só.
um desejo.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
ACHEI QUE NÃO FOSSE ESCAPAR...
Achei que não fosse escapar. A gente costuma achar. Um saco de pedras preso aos pés. A dor mais forte é sempre a presente. Por que ela se traja de eterna? Por que ela não garante sua partida? Não peço data, mas a certeza de que munida de trouxa ela passe. Certeza que hoje possuo. Certeza atrasada. Certeza meio torta, porque somos pegos de surpresa. O tempo todo. A tranqulidade que se avessa e revela dias pesados e rotineiros e infinitos. Dias que não ornam com os seguintes: os afastados e, talvez e infelizmente, dormentes. Não mortos. Dormentes. Será que por isso tenho sono? Uma ressaca da surpresa ruim. Da fadiga de sofrer numa única tarde as facadas que me derrubavam há anos. Todas de uma vez. Mas uma hora o sangue estanca. O buraco fecha. Depois, só as cicatrizes. Aparentes. Tristes. Que tentam se esconder debaixo do maiô. Que se disfarçam no silêncio. Num olhar evasivo...
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