sábado, 15 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

É A NECESSIDADE DE...


É a necessidade de enxugar o que pesa. O chumbo do desgosto desprezando o ar. Uma imagem distante abraça a solidão. Assume a carícia no rosto insistente. A boca se humilha em vãos impulsos. Boca insatisfeita. Boca besta. Boca ignorante. Incapaz de mostrar as costas. Armadilha dura e violenta. Por que tá aí parada? À espera. Vulnerável. Se existe o sonho de uma outra vida. A vida dos livros? A vida do espelho? A que te contaram? Se existe, por que tá aí imóvel? A ideia que te persegue há algum tempo. Como aquele amor coberto que vai e volta. Confunde. Esvazia a ideia. Vive a ideia. Até pedir arrego. Manda tudo pra puta que pariu. E se espalha na ideia. Depois levanta a bandeira branca e volta à vida comum. Vida de merda.

ESGOTAR A ÚLTIMA GOTA...


esgotar a última gota
do mar e do silêncio

folhas brancas à espera
de convivências zeradas

solidão
como pretexto

os textos
encadernados pelo
novo

só.
um desejo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ACHEI QUE NÃO FOSSE ESCAPAR...


Achei que não fosse escapar. A gente costuma achar. Um saco de pedras preso aos pés. A dor mais forte é sempre a presente. Por que ela se traja de eterna? Por que ela não garante sua partida? Não peço data, mas a certeza de que munida de trouxa ela passe. Certeza que hoje possuo. Certeza atrasada. Certeza meio torta, porque somos pegos de surpresa. O tempo todo. A tranqulidade que se avessa e revela dias pesados e rotineiros e infinitos. Dias que não ornam com os seguintes: os afastados e, talvez e infelizmente, dormentes. Não mortos. Dormentes. Será que por isso tenho sono? Uma ressaca da surpresa ruim. Da fadiga de sofrer numa única tarde as facadas que me derrubavam há anos. Todas de uma vez. Mas uma hora o sangue estanca. O buraco fecha. Depois, só as cicatrizes. Aparentes. Tristes. Que tentam se esconder debaixo do maiô. Que se disfarçam no silêncio. Num olhar evasivo...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SE EU NUM GUENTO, POR QUE VOU?


Agora não posso nem mais salgar a boca com a tristeza que começa nos olhos e escorrega como avalanche, hidratando a pele. Alagando o que me cerca. Meu carro abrigando um mar. E antes que vocês, leitores avessos ao meu romantismo, se encham deste texto, adianto: não haverá sofrimento nas próximas palavras. Peço a paciência de todos. Me proíbo de chorar, pelo menos por mais uma semana, porque quando deslizo a mão pelo nariz, de cima para baixo, afim de salvar a minha calça jeans dos pingos indomáveis que escorrem dele (porque tristeza é coisa pra trânsito. Só permito que os caminhoneiros assistam ao meu ensaio para o Oscar. Ou um Shell, se for menos pretensiosa). Quando deslizo a mão pelo nariz, de cima para baixo, a presença da cotovelada que tomei na Gambiarra desse domingo se manifesta. Por dentro, meu nariz lateja uma dorzinha boa, que me lembra a infância. Quando eu corria de um ponto do corredor até esbarrar meu joelho na porta lá no fundo. Dor boa, mas incômoda. Nem fazer o meu drama mexicano e essencial posso mais? Porque limpar nariz com a mão, ato nojento mas necessário quando não há lencinhos nem coachecóis dando mole dentro da bolsa, não tem o menor sentido se delicado. Tem que ser macho pra dar cabo daquele catarrinho que água a palma da mão. Eu sou macho. Mas essa semana não posso. Além da dor, o trabalho. Devo chegar intacta. A porcelana de sempre. Rosto pálido, retocado por um blush barato e que provavelmente é o causador da alergia e dos cravos abertos da minha pele. Nada de olhos e nariz vermelhos, porque a Maria do Bairro tem que ser forte. E é isso que ela vai ser. Hoje. Com brincos menores e cabelos menos penteados. Ou quem sabe uma Cameron Diaz de calcinha e top dançando feliz pela sala de estar uma música que funcione como álcool. Como o garçom que consola. Um Black Eye Peas... isso parece até nome de drinque. Hoje eu vou tomar um Black Eye Peas até o chão!
E graças as minhas decisões não haverá caminhoneiros no local...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

SENSAÇÃO OU NOÇÃO?


vivo pela metade. amo pela metade. abraço pela metade. me doo pela metade. converso pela metade. contemplo pela metade. penso pela metade. me despeço pela metade. odeio pela metade. rejeito pela metade. confio pela metade. e blá blá blá.
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