quarta-feira, 11 de agosto de 2010

FOI PORQUE FAZIA FRIO...

Foi porque fazia frio, me lembrei, não temos mais Lins. Quando olhei pro céu, era cinza. O horizonte me foi proibido. Só havia concreto. Interrompido por algumas janelas alinhadas umas em cima das outras. Em Lins o céu sempre foi azul claro, mesmo quando eu usava casaco grosso. Mesmo quando não podia dormir de cabelo molhado. Mesmo quando o edredon me acalorou por tantas manhãs. É claro que a propriedade nunca foi de meu pai. Também, é claro, que em outros tempos poderia ter sido. Estar em Lins era como pausar a vida pra refletir sobre o trivial. Ter um carro, ter uma casa, odiar uma sogra, a cor das unhas, acompanhar novela, ou, no meu caso, receber essas informações enquanto as sobremesas chegavam à mesa, alguém cochilava na boia rosa e a tia dormia depois do almoço. Hoje, as fotos. Nunca reveladas, nunca impressas e já até perdidas em pastas confusas dentro de computadores que vão ao conserto e voltam quilos de arquivos mais magros. Hoje, a falta do céu da cidade. Cheio de nuvens. Temperando o azulzinho. E meu rosto encarando. A foto se desmanchando nos próximos anos.

4 comentários:

paulopaniago disse...

gostei muito dos computadores que fazem ginástica no conserto. gostei do sobrinho que olha pra você e ri. e que você seja bagunceira e sonhadora e que lastime o céu perdido ou proibido.

Priscila Nicolielo disse...

;)

Caio Leão disse...

O céu continua lá.E é maior do que esse texto.Maior que São Paulo.Quem sabe outras estrelas te aguardam em algum outro lugar onde o cinza do céu - concreto não chegue e onde a trivialidade te aguardade para um bate papo?

Priscila Nicolielo disse...

aproveita por mim? rs

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