quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CÁRCERE


Um amor estático flutua preguiçoso a três palmos do meu travesseiro, quando é madrugada e tudo é sussurro. Lembranças tristes e carneiros pulando brigam pelo primeiro lugar. Provo paciência. A página branca e tolerante freia um abraço. A distância é ríspida. Meu escândalo não te alcança, é desespero invisível. Insuportável é gostar sem ruído. Armazeno você num parágrafo, pra rabiscar mais tarde. Apagar mais tarde. Quando já for muito tarde. Muito tarde e adiável.

Meu mundo apático se embriaga de olhares perdidos. Nem sei o que miro. O dia se esgarça em frames. Tarefas e compromissos e gritos espancam a campainha do meu controle. A janela trancada - nem o ar respira aqui dentro - o cachorro esperneando atrás dela e, quando percebo, perdi uma hora. Sessenta minutos de você, chumbo agarrado aos meus tornozelos. Me enterrando em silêncio.

A sua felicidade abafando qualquer coisa que tenha me dito naquela ligação. Na surpresa de uma esquina que dobrei, em vez de te evitar. Numa fotografia que pensei ter apagado – ela tem seu cheiro e o meu agasalho também. E terça passada se me surpreendessem: a história de alguém que respira agasalhos e tem olhos encharcados de alguma coisa que um dia ganhei por engano. Seu cheiro, que não chamo de perfume, e algumas partes da sua vida me interrompendo. Freneticamente.

14 comentários:

Carolina Loyola Gimenez disse...

Amei Pri !!!!!!!

Nem o ar respira aqui dentro !

LINDO

Caramelo, chocolate disse...

"Sessenta minutos de você, chumbo agarrado aos meus tornozelos. Me enterrando em silêncio."
Tem como não gostar?
Exala poeticidade!

Cinderella disse...

PEEEEEEEEEERFEEEEITOOO!

Fê Botelho disse...

Não tem como ler um texto seu e não se sentir dentro da história.
Parabéns pelo dom de transformar palavras em sentimento.
Muito lindo! :))

Priscila disse...

LINDAS! obrigada por passarem aqui sempre que peço.
<3

Diego C. F. disse...

Nossa, taí gostei...hehe

Thamy Silvia disse...

"A distância é ríspida. Meu escândalo não te alcança, é desespero invisível."

Desespero invisível ao mundo e habitante fixo do meu peito :)

AquilesMarchel disse...

fantastico, seu texto no casal sem vergonha me trouxe aqui
e nao teve decepção

romantismo longe dos cliches
nao que cliche seja ruim

Raquel Santos disse...

"Numa fotografia que pensei ter apagado – ela tem seu cheiro e o meu agasalho também. E terça passada se me surpreendessem: a história de alguém que respira agasalhos e tem olhos encharcados de alguma coisa que um dia ganhei por engano. Seu cheiro, que não chamo de perfume, e algumas partes da sua vida me interrompendo. Freneticamente." AMEEEI esse trecho, sem falar que o segundo parágrafo é poema puro.

priscila nicolielo disse...

obrigada pelos comentários... :)
na época em que escrevi, o blogspot não disponibilizava a opção de responder a cada um.
mas nos próximos farei questão. <3

Giovanna disse...

não escrevo há muito tempo e esse texto disse tudo que eu queria poder por pra fora. não ajuda com o peso enorme, mas é um conforto saber que os carneiros perdem batalhas em outras camas também. que da próxima vez a insônia seja de felicidade pra você. =)

Anônimo disse...

*-*

Laryssa Machado disse...

Ah o amor,
nos invadi e nos deixa, e aí nos agarramos a tão pouco, um perfume, um sms, a lembrança de um sorriso.

Texto perfeito
http://lary-di-lua.blogspot.com.br/

Rodrigo V. disse...

"A história de quem respira agasalhos". Dói.

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