terça-feira, 2 de abril de 2013

AMOR VIVO, TEXTO MORTO






Amor vivo, texto morto. E a dificuldade para falar do tema, quando o peito está tranqüilo e desafogado. E a página em branco cansada de posar e não se transformar. À espera da criatividade acordar do coma. 

Quando o amor não fere, palavras sobre ele têm jeito de garota careta. Garota que leva lancheira para a escola no ensino médio. Que a mãe não deixa se divertir nas tarde de algum shopping do bairro com as amigas e óbvias paqueras. Garota apática.

A felicidade é a depressão do texto. É a caneta sem tinta. Amor devolvido escreve de olhos secos e sorriso  na cara. Bagunça a vocação. É texto a lápis, com a segurança da borracha. Páginas vazias. Sem motivos para a melancolia, a tela silenciosa é mais encarada do que provocada. O câncer do texto é ter o coração em paz.

Procuro pela minha próxima ferida. Não posso largar a única desculpa que tenho para viver. Preciso respirar empedrado pros dias fazerem sentido. Preciso de caneta. Pouco papel. Adrenalina nas teclas.

Desapareça, moço. Fique aí, longe, de costas pra mim. Mas me encare, de vez em quando, para eu ter um porquê. 

14 comentários:

Isabela disse...

Os melhores textos/poemas/canções geralmente surgem geralmente dos corações dilacerados, indignados, tristes ou revoltados. Mas ainda acredito que um coração em paz pode render uma boa leitura! :)

Thamy Silvia disse...

O câncer do texto é ter o coração em paz.

Estou passando por isso.


Pri ♥

Marcela Alves disse...

lindo. Não tenho sobre o que escrever ultimamente.. é triste isso..

beijos

Cleiton disse...

Com certeza temos muito motivo para escrever quando estamos tristes ou sendo rejeitados por alguém, mas também podemos escrever sobre a esperança de encontrar alguém quando se menos espera. Acho que cada dia é uma novidade e, mesmo que seja em poucas linhas, há algo novo a ser escrito. O texto é de uma emoção muito forte. Tanto que, assim que acabei de ler, logo lembrei de várias músicas que me lembram de momentos como esse. Mas o importante é estar em paz consigo mesmo! Adorei, Pri!

Rodrigo V. disse...

Bagunça a vocação... deixa o coração apenas bombeando sem motivos. Por favor, um trifásico elétrico nele, quero descompassos involuntários, o frio na barriga no calor, o calor irrevelável que chega até a ser palpável.

Não sinto saudade. Sinto saudade do que eu sentia.

Pri, tu é foda!

priscila nicolielo disse...

Queridos, obrigada pelos comentários. Fico super feliz de lê-los por aqui também.
Com o tempo aprendemos a escrever em qualquer estado, ainda bem. Mas #confesso que os meus textos que mais gostam nasceram da tristeza. Rs
Apareçam mais por aqui! Adoro comentários.
Beijos,
Pri.

Fabio Oliveira disse...

Existe um poema do Michel Temer (sim, o vice-presidente do Brasil) que fala sobre isso também. "Quando minha vida anda boa, meus escritos andam mal."
:-)

Michelle Venuto disse...

Oi Priscilla!!

Adoro seus textos. Te sigo no twitter, tenho você no face e em todo lugar que tem algum texto seu.
Tenho um blog que fala de leitura e literatura, minhas paixões afinal sou bibliotecária!
Se quiser, me segue: http://literaturaessencialcomoar.blogspot.com.br/

Beijos,
Michelle Venuto

Camilla disse...

Pri, que texto LINDO! : )

Beijinhos, querida!
http://www.mademoiselleparis.com.br/

Laila de Souza disse...

É a mais pura realidade ,eu mesma escrevo bem mais quando estou triste,parece até que a tristeza é combustível para bons poemas/textos.Ainda assim,prefiro ter dias felizes ,a solução é aprender a escrever sobre coisas que não estamos vivendo,pegar emprestada a dor do outro.

Silvya disse...

Verdade mais pura do universo haha texto lindo, pra variar!

Priscila Nicolielo disse...

:)

Cinderella disse...

Fato.
Parece que os textos a respeito do amor que não sobrevive são os melhores.

Priscila Nicolielo disse...

e a gente vai ficar sofrendo só pra escrever?

...

só?

não é só.

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